Câncer de pulmão (português brasileiro) ou cancro do pulmão (português europeu) é a expansão e transformação
maligna do tecido pulmonar. É o tipo mais letal de
câncer/cancro no mundo todo, responsável por 1,2 milhões de mortes anualmente. É causado principalmente pelo hábito de fumar cigarro, e afeta homens predominantemente, mas o número de câncer de pulmão em mulheres vem aumentando em decorrência do aumento do tabagismo.
[1] Entretanto, algumas pessoas que nunca fumaram sofrem de câncer de pulmão.
Pesquisas atuais indicam que o fator com o maior impacto no risco de se ter um câncer de pulmão é a exposição a longo prazo de
carcinógenos. O termo carcinógeno refere-se a qualquer forma de substância ou radiação que é um agente que promove ou tem envolvimento directo com a facilitação do câncer ou instabilidade genômica devido à destruição das mudanças metabólicas celulares. O meio mais comum de exposição aos carcinógenos é o
tabagismo.
O tratamento dependem do tipo do câncer, o estágio ou estadio (grau de dispersão), entre outros fatores. Os tratamentos incluem
cirurgia,
quimioterapia e
terapia radioativa entre outros.
[editar] Classificação
| Frequência dos tipos histológicos de câncer de pulmão |
| Tipo histológico | Frequência (%) |
| Carcinoma de não-pequenas células | 80,4 |
| Carcinoma de pequenas células | 16,8 |
| Carcinoma[2] | 0,8 |
| Sarcoma[3] | 0,1 |
| Câncer de pulmão não-especificado | 1,9 |
Classificação
histológica dos carcinomas brônquicos de acordo com a
Organização Mundial de Saúde (OMS):
- Carcinoma de pequenas células
- Carcinoma de não-pequenas células
As principais causas de câncer de pulmão incluem
carcinógenos (como os presentes na fumaça do tabaco),
radiação ionizante,
Asbesto, infecção
viral e
material particulado. A exposição causa mudanças cumulativas no
DNA do tecido que recobre os
brônquios dos pulmões (o
epitélio brônquico). Quanto mais o tecido é lesionado, maior a hipótese de desenvolvimento do câncer. Para piorar as substâncias do cigarro diminuem as respostas imunes deixando o organismo todo ainda mais vulnerável a doenças.
[4]
De forma semelhante ao cigarro, a fumaça da
maconha causa danos aos pulmões. Por possuir o dobro de hidrocarbonetos poliaromáticos e por geralmente envolver tragadas mais longas e profundas, o usuário de maconha fumada terminam com cinco vezes mais monóxido de carbono na corrente sanguínea do que os tabagistas. Como é fumada sem filtro, os danos causados aos pulmões equivalem ao dano causado por cerca de 20 cigarros.
[5][6]
Quem não fuma mas convive com pessoas fumantes também corre o risco de desenvolver cânceres.
A incidência do câncer de pulmão está altamente correlacionada com o tabagismo
O
tabagismo, especialmente o de
cigarros, é de longe o maior fator contribuinte para o câncer de pulmão.
[7] Nos países desenvolvidos, quase 90% das mortes por câncer de pulmão são causadas pelo tabagismo. 1,4% das vítimas nunca fumaram, mas a maioria conviviam frequentemente com fumantes (geralmente em casa ou no trabalho), felizmente pessoas que nunca fumaram tem melhores respostas ao tratamento e maior taxa de sobrevivência
[8].
Mulheres fumantes que fazem terapia hormonal tem um risco 60% maior de desenvolver câncer de pulmão do que as que não fazem. Além disso, também tem um risco aumentado para câncer de mama.
[9]
[editar] Sinais e sintomas
Os sintomas que sugerem o câncer de pulmão incluem:
- Falta de ar.
- Tosse seguida de sangue.
- Tosse crônica.
- Chiado no peito.
- Dor no peito ou no abdômen.
- Dor na coluna vertebral (região dorsal).
- Perda de peso, fadiga e perda de apetite.
- Disfonia - disfonia representa qualquer dificuldade na emissão vocal que impeça a produção natural da voz.
- Hipocratismo digital - é um sinal caracterizado pelo aumento das falanges distais dos dedos e unhas da mão que está associada a diversas doenças, a maioria cardíacas e pulmonares (incomum).
- Dificuldade em engolir.
- Febre.
- Cor da pele torna a ser mais amarelada.
- Queda de cabelos e pelos pubianos.
- Microbolhas pela pele.
- Unhas crescendo em deformação.
- Cheiro do corpo diferente, principalmente atrás das orelhas.
Porém, muitas vezes o câncer é assintomático nas fases iniciais e os sintomas só começam a aparecer nas fases mais graves.
Como, segundo o
INCA cerca de 90% dos casos de câncer de pulmão são por causa do consumo de derivados do tabaco (geralmente cigarro), a principal forma de prevenção é nunca fumar e não ficar próximo a fumantes.
[10]
Parar de fumar permite que o pulmão se regenere parcialmente, melhora a imunidade e melhora a saúde não só do fumante como de todos aqueles que vivem com ele. Diversos remédios psiquiátricos e psicoterapia podem ajudar nesse processo.
[11]
No caso de ambientes contendo cancerígenos no ar, como fumaça e restos de minerais silicatos, máscaras apropriadas devem ser usadas.
[editar] Epidemiologia
Segundo a OMS 2008 houve 1,52 milhões de casos novos e 1,3 milhões de mortes por câncer de pulmão no mundo.
Câncer de pulmão é o tipo de câncer mais comum entre os homens (desconsiderando os cânceres de pele não-melanoma), representando 17% do total dos novos casos de câncer, sendo um pouco mais incomum nas mulheres (11% dos casos de câncer), e 23% do total de mortes por câncer no mundo.
[12] A cada ano aumentam em 2% a quantidade de novos casos no mundo. É uma das poucas doenças que continuam mesmo com os altamente letais avanços contínuos dos tratamentos. No Brasil mata cerca de 15.000 pessoas por ano.
[13]
Ao contrário do que acontece em países mais desenvolvidos, no Brasil o
câncer de próstata (com 52 mil novos casos/ano) é mais comum que o câncer de pulmão (com 18 mil novos casos/ano) entre os homens, e o
câncer de mama (com 49 mil novos casos/ano) é mais comum que o câncer de pulmão (com 10 mil novos casos/ano) entre as mulheres.
[14]
A faixa etária mais afetada são idosos entre 60 e 80 anos. É 50% mais comum entre homens negros e 10-20% entre mulheres negras por causa do tipo de cigarro tradicionalmente fumado entre negros possuírem maior porcentagem de nicotina e alcatrão.
[15]
[editar] Tratamento
O risco de câncer é 5 vezes maior entre pessoas cujos pelo menos um dos pais morreram de câncer de pulmão mesmo que eles nunca tenham fumado.
O tratamento para o câncer de pulmão depende do tipo celular específico do câncer, o quanto ele se espalhou e o estado do paciente. Os principais tratamentos incluem
cirurgia,
quimioterapia e
radioterapia.
Tumores restritos ao pulmão (estágio I ou II) devem ser operados e removidos e tem chance de cura entre 60 e 90%. Conforme ele se espalha pelo organismo passa a ser necessário uma associação de quimio e radioterapia, com eventual necessidade de intervenção cirúrgica, porém nesse estágio (estágio III) a chance de cura é reduzida a 30%. Quando o câncer se espalha para órgãos distantes (estágio IV) é altamente improvável a cura completa, mas ainda existem tratamentos paliativos que permitem o paciente viver mais alguns meses ou mesmo anos com boa qualidade de vida.
[13]
Infelizmente cerca de 40% dos casos diagnosticados já se espalharam para regiões próximas e outros 40% já possuem metástases distantes, o que explica porque a taxa de sobrevida após 5 anos do diagnóstico estar apenas entre 10 e 15%. A sobrevida entre aqueles que apresentam poucos sintomas é duas vezes maior do que sintomas graves.
[15]
Referências
- ↑ National Lung Cancer Partnership: Lung Cancer in American Women
- ↑ Morandi, U; Casali C, Rossi G. (2006). "Bronchial typical carcinoid tumors". Seminars in Thoracic and Cardiovascular Surgery 18 (3): 191–198. DOI:10.1053/j.semtcvs.2006.08.005. PMID 17185178.
- ↑ Etienne-Mastroianni, B; Falchero L, Chalabreysse L et al.. (December 2002). "Primary sarcomas of the lung: a clinicopathologic study of 12 cases". Lung Cancer 38 (3): 283–289. DOI:10.1016/S0169-5002(02)00303-3. PMID 12445750.
- ↑ Sopori, M (May 2002). "Effects of cigarette smoke on the immune system". Nature Reviews. Immunology 2 (5): 372–7. doi:10.1038/nri803. PMID 12033743.
- ↑ http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2286761-EI298,00.html
- ↑ http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u368157.shtml
- ↑ Biesalski, HK; Bueno de Mesquita B, Chesson A et al.. (1998). "European Consensus Statement on Lung Cancer: risk factors and prevention. Lung Cancer Panel". CA Cancer J Clin 48 (3): 167–176; discussion 164–166. DOI:10.3322/canjclin.48.3.167. PMID 9594919.
- ↑ Nordquist, LT; Simon GR, Cantor A et al. (August 2004). "Improved survival in never-smokers vs current smokers with primary adenocarcinoma of the lung". Chest (American College of Chest Physicians) 126 (2): 347–351. doi:10.1378/chest.126.2.347. PMID 15302716.
- ↑ Chlebowski RT et al (2009). "Non-small cell lung cancer and estrogen plus progestin use in postmenopausal women in the Women’s Health Initiative randomized clinical trial". Journal of Clinical Oncology 27 (155): CRA1500.
- ↑ http://www.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/pulmao
- ↑ US Department of Health and Human Services (1990-09-30). "The Health Benefits of Smoking Cessation: a Report of the Surgeon General" (PDF). Centers for Disease Control (CDC), Office on Smoking and Health.. pp. vi, 130, 148, 152, 155, 164, 166. Retrieved 2007-11-18.
- ↑ Jemal, A; Bray, F, Center, MM, Ferlay, J, Ward, E, Forman, D (2011-02-04). "Global cancer statistics". CA: a cancer journal for clinicians 61 (2): 69–90. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.3322/caac.20107/full
- ↑ a b http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=340
- ↑ http://www.inca.gov.br/estimativa/2010/index.asp?link=conteudo_view.asp&ID=2
- ↑ a b http://euromedcateteres.com.br/pdf/05_CancerdePulmao.pdf